quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A PERFEIÇÃO HUMANA DA CANOLA A planta que Deus não criou


                   
A canola é mais uma destas histórias atuais, que mostram como  a ciência, afastada do comum das pessoas,  se torna cúmplice de atitudes públicas, que podem ser perigosas para a saúde coletiva ou atenuar muitas dúvidas sobre produtos que se vestem com a roupagem de serem inquestionavelmente salutares.
Em primeiro lugar, é preciso estabelecer a seguinte questão: o que é canola, que, afinal, nem constava em enciclopédias (Comptons e Encarta de 96, Barsa 99)? Vejam só:  Canola é um novo nome para a  Colza. Colza? Novo nome? O que é isto afinal? Bem a Colza é uma planta do gênero brassica. As brassicas incluem um grande grupo de espécies, entre elas variadas espécies de mostardas, a colza, o repolho, o brócolis entre outras.
O óleo de colza foi utilizado como substrato de óleo lubrificante, sabões  e combustível, e até para a fabricação de de inseticidas, (como outros óleos aproveitáveis pela indústria). No entanto o óleo de colza não poderia ser utilizado para alimentação humana pois tem qualidades tóxicas que são proporcionadas pela alta quantidade de ácido erúcico (e de glucosinalatos) que contém. O ácido erúcico é associado a distúrbios que afetam o coração.
No entanto, o fato de ter alto percentual de ácidos graxos monoinsaturados, e frente à onda de preocupação com as baixas taxas de ômega-3 na alimentação industrializada da sociedade atual,  a possibilidade de se produzir e comercializar um óleo que pudesse ter o rótulo de saudável, naturalmente era tudo que as indústrias queriam. O óleo de oliva tem esses predicados, mas os bons óleos de oliva costumam ser caros para o consumidor.
A palavra Canola, é um acrônimo de CANadian Oil Low Acid (Óleo canadense com baixo teor de ácido, no caso ácido erúcico). Foi desenvolvido por plantadores canadenses, com pesquisas de aprimoramento genético convencional, e o padrão da semente, com no máximo 2% de ácido erúcico, foi desenvolvida em pesquisas da Universidade de Manitoba (Canadá). Esse nome foi patenteado pela associação de cultivadores canadense, o que valeu até 1999, quando passou a ser uma denominação genérica da variante brassica que atendesse as especificações sobre teor de ácido erúcico e outros componentes.
Mas como a canola ganha o mercado? Em meados da década de 80 vários estudos pareciam colidir com o conceito até então difundido de que os óleos poliinsaturados eram bons para a saúde, como a própria Associação Americana do Coração vinha divulgando. A indústrias ligadas à produção alimentar estariam entrando em situação bastante difícil. Retornar ao uso de gorduras tradicionais possivelmente não seria uma boa solução. Aí entram em cena a criatividade comercial em busca de um óleo rico em ácidos graxos monoinsaturados. A variante canadense têm alto teor de monoinsaturados e pode ser comparada com o azeite (óleo de oliva). Sua comparação aos benefícios do óleo de oliva é uma boa estratégia de venda: o óleo de oliva é bem mais caro, (embora a canola seja mais caro do que os outros óleos). Bom negócio, enfim. A indústria foi profícua em utilizar a preocupação com as pessoas em ter uma dieta saudável e a valorização da dieta estilo mediterrâneo que teria como maior virtude a presença de ômega-3, substância que também existe em boa quantidade no óleo de canola. Obviamente, os povos do mediterrâneo consomem mesmo é azeite (de oliva).
Bem, se você queria apenas utilizar alimentos que fossem benéficos para a saúde e ao mesmo tempo isento de controvérsias, talvez não fosse uma boa idéia escolher o óleo de canola. Esse produto aparece entre os profissionais de saúde como uma solução quase miraculosa como oferenda de boa saúde especialmente para o coração como um substituto de um produto tradicional como o azeite, e isento de quaisquer outros problemas que poderiam ser relacionados a outros óleos vegetais comuns na culinária e na indústria de alimentos. Porém há estudos que mostram que o excesso de consumo de gordura monoinsaturada pode também trazer problemas. É importante não se esquecer de ter em mente o contexto da tradição alimentar mediterrânea, e todos os outros aspectos de seu estilo de vida. 
Mas o seu processo de produção também expõe as sementes a altas pressões e temperaturas, processo que pode gerar um percentual expressivo de gorduras tipo trans. Isso também acontecer durante a fase de desodorização do produto. Vão se oxidar em fritura como qualquer outro óleo. (Há textos na internet que relacionam uma série de problemas, mas boa parte desses artigos carecem de bons substratos de pesquisa).
Uma outra questão importante sobre a canola diz respeito ao tema transgênicos. Existem bons motivos para acreditarmos que essa preocupação não é um falso alarme. A Monsanto Canadense produz variações geneticamente modificadas de canola. Essa variante parece que facilmente contamina campos de canola convencional.  Estimativas conservadoras indicavam que 65% da plantação de canola no Canadá seja transgênica. Um exemplo de problema que isso pode trazer para um agricultor pode ser visto na página de Percy Schmeiser e suas ações contra a Monsanto.
 Outra questão muito mencionada em diversos artigos sobre a canola, incluindo os textos da Fundação Weston A Price, seria sobre os rumores de que a primeira liberação das novas sementes de colza pesquisadas no Canadá, teria sido auxiliada por um gasto do próprio governo do Canadá para sua regularização junto ao FDA americano. Esse órgão de controle deveria dar o certificado de GRAS (certificação de segurança para consumo alimentar) para a semente pudesse ser comercializada em território americano. (Especula-se em algo como 50 milhões de dólares). Se isso é verdade não saberemos ao certo. Mas como, infelizmente, temos motivos de sobra para desconfiarmos das ações dos grandes interesses comerciais, essa névoa dificilmente será esclarecida.
Enfim, novamente nos defrontamos com uma situação em que a mão do homem subverte o bom senso entre ciência e saúde, ao que parece porque os interesses econômicos são muito mais persuasivos que os interesses dos consumidores. Mais o pior é que não podemos contar com os meios de informação, que sistematicamente informam o que interesses maiores julgam mais oportuno.
 O tema canola nos dá uma forte sensação de que sabemos apenas uma fração pequena do mundo obscuro do capitalismo científico, que pesquisa fontes de enriquecimento muito mais entusiasticamente do que as verdadeiras fontes de  saúde, vida e paz!


Referências e observações: 
(Efetivamente o agente mostarda é obtida de um espécie de brassica, mas não faz parte da espécie que foi modificada para a produção do agente mostarda, gás letal usado na Guerra.)
O tema canola parece ser abordado com bastante lucidez na página: www.westonaprice.org/knowyourfats/canola.html
Há muitos artigos na internet sobre o tema. Infelizmente alguns links utilizados anteriormente não foram mais encontrados. Em todo o caso vale a pena olhar:
www.tetrahedron.org (The truth about canola oil);
www.shirleys-wellness-cafe.com/canola.htm   parece estar sempre atualizado;
www.percyschmeiser.com/ (sobre as ações desse agricultor contra a Monsanto canadense);
www.dldewey.com/hydroil.htm (muita informação sobre gorduras vegetais e óleos comestíveis);
(sites em inglês). 

(Obs: O conteúdo do artigo foi modificado,substituindo o anterior, em função de que muitas das informações anteriores não puderam ser confirmadas, muitas das páginas que haviam na Internet em 2002 e 2003, data que o primeiro artigo foi escrito já saíram do ar. Creio que o fato de haver expressões como aperfeiçoamento genético e pelo fato de ser uma época de grande debate sobre o tema trasgênicos tenha trazido à tona informações confusas e inspirarem artigos apressados e inconsistentes.)

COMPILAÇÃO UMAOUTRAVISAO
Artigo original publicado em 2003 (UOV110303)
www.umaoutravisao.com.br


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